
Brinks que fiz pro tumblr do Curso Estado de Jornalismo Econômico (foquices) baseada na fala do jornalista Ricardo Gandur

Brinks que fiz pro tumblr do Curso Estado de Jornalismo Econômico (foquices) baseada na fala do jornalista Ricardo Gandur

A história de uma menina chata (ou meu texto do CAJ)
A quem interessar possa, há pouco menos de um ano, usei esse texto para me inscrever no Curso Abril de Jornalismo.
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Tom Wolfe, jornalista norte-americano, um dos fundadores do new journalism falou certa vez em um de seus textos sobre o desejo e ‘missão’ oculta de todo jornalista viver do jeito que vive para conseguir um trampolim para aquilo que é sua verdadeira vocação: ser um escritor de romance. Pode ser que tal definição já tenha caído por terra com a chegada do novo jornalismo, que mistura aspectos literários aos textos com matérias semelhantes a contos, mas a afirmação de Wolfe fez com que eu me sentisse um pouco deslocada. Ser escritora de romance era algo que nunca tinha passado pela minha cabeça. Por que, afinal, eu escolhi essa profissão?
Acho que tudo começou com o meu nome. Ele é chato. Não é bom para uma jornalista: Anna Carolina Rodrigues. ‘Chato? – Por quê?’ Ora, pelo simples fato de ter aquele enezinho a mais. Um levantamento feito pela DataRodrigues revelou que durante toda a minha vida, meu nome foi escrito do jeito certo, sem a necessidade de quaisquer correções em apenas 27% das vezes. Nem eu mesma o escrevi corretamente todas as vezes. A época de alfabetização foi complicada… Desejei por diversas vezes me chamar Lila ou Juju.
Uma vez bem resolvida com meu nome, algumas setas misteriosas começaram a apontar meu caminho. Até o vestibular, fui veterinária. Consertei a asa do piriquito chamado Sol. Mas depois quando tiveram que pintar a área de serviço, ele acabou morrendo intoxicado. Depois disso, fui astronauta. Meu capacete era um balde e minha nave era a banheira lá de casa. Até que teve um natal em que ganhei um gravador daqueles coloridos com microfone e decidi virar cantora. Minha carreira não durou muito. O meu público escasso de três pessoas logo se cansou do meu repertório. Aos oito anos de idade, decidi então que queria ser levada a sério e virei repórter. Simples assim. Com meu gravadorzinho colorido, entrevistei todos os familiares, porteiro, vizinha, padeiro, e até mesmo a Dilma, a barraqueira de praia que sempre me dava um coco de graça. Depois disso, fui juíza de direito: uma vez fui com a minha mãe ao trabalho e subimos no elevador privativo do chefe dela. Era um elevador inteirinho só para nós! Mas, nem era tão bom… dava dor de cabeça.
A dor de cabeça passou assim como os anos e meu encanto ascendente pelo Direito. Tudo isso contribuiu de algum forma para a minha opção. Uso aqui a palavra opção pois acredito que escolha seja uma palavra forte demais para ser empregada neste momento da vida. Apesar de ser importante a escolha opção pela profissão, nenhum adolescente tem informações ou até mesmo vontade suficientes para decidir o que fazer pelo resto da vida. Ao prestar o vestibular, optei pelo jornalismo e desde então é o que tem feito sentido para mim. Durante meu período de intercâmbio de estudos em Lyon, na França, descobri a escalada e adotei o esporte. Descobri paisagens deslumbrantes pela Europa e aqui no Rio de Janeiro também. Mas, nenhuma delas me inspirou mais do que os horizontes que se abrem com o poder da informação.
Hoje, ser jornalista é uma escolha que deve ser feita diariamente, racional e emocionalmente. Ou é nisso que eu gosto de acreditar, para ter a impressão de que tenho certo poder sobre o meu futuro. Para mim, ser jornalista é muito mais do que vocação, é modelo de caráter, curiosidade, descontentamento, pulga atrás da orelha. É querer mostrar ao mundo o que ele tem de ruim e sem querer descobrir muita coisa boa… É nostalgia ao lembrar daquela menina insistente que seguia meio mundo com aquele gravadorzinho colorido. Acho que escolhi o jornalismo porque sempre fui chata.